sexta-feira, 16 de abril de 2010

O que você deseja?

Meu caminho é simples... Ou não.

Procuro me desenvolver como uma árvore. Ou desenvolver como uma árvore tudo o que me rodeia. Você já deve ter ouvido a frase que diz que um relacionamento deve ser regado todos os dias como uma planta. É por aí... Costumo usar essa premissa só que, de forma um pouco diferente.


AROEIRA - pintura em aquarela com poema / watercolor painting with poem de Fernando Pessoa - por Claudia Fini Martins

Em uma floresta qualquer, uma semente é carregada no ventre de um pássaro e talvez muitos km depois, lançada ao solo. Tal semente fica ali, a mercê do tempo. Das chuvas, dos raios do sol, do vento que talvez a leve para mais longe ou para um solo diferente.

Não existe mais a intervenção de alguém. Ela penetrou no solo e ali irá ficar por um determinado período. O que for necessário. Ela precisa se alimentar, desenvolver-se sozinha, ganhar forças para sobreviver e se conseguir, um dia dará frutos. Esse período se assemelha a meditação.

Acho que sempre fui natural demais para as coisas comuns. O que me interessa é a essência. De tudo... Aquilo que naturalmente é gerado por espontaneidade e não por uma ação forçada. Penso que posso abrir novos caminhos, mas todos estão dentro de mim. Meus desejos, vontades e medos. Tudo a ser superado e trabalhado, mas com o tempo... A meditação a alimentação de Si que consiste em se conhecer.

Não entendeu nada? Explico.

Quando alguém se aproxima de mim, eu deixo livre. Sua semente fora lançada em meu terreno e dependendo do desenvolvimento desta, meu solo será fértil ou não. Sinceramente? Eu não vou lá “regar” deixo tudo com a ação do tempo. Eu posso acolher aquela semente como o ventre da terra para que ela cresça e vire uma árvore. Não adubo nada. Deixo-a livre para Ser, amadurecer ou morrer. Inércia? Não. Respeito à natureza seja ela qual for.

Mas eu cuidarei da árvore. Oh sim. Essa gerará os tão esperados frutos. Nessa fase ela já cumpriu seu caminho e me escolheu para fincar suas raízes e lançar outras sementes.

Parece algo bem estranho, mas aposto que já receberam conselhos do tipo.

Se um homem se aproxima de mim e mostrar interesse em ficar comigo não faço nada para mudar o que eu sou. Não vou tentar forçar parecer alguém que não tem nada a ver comigo, não vou mudar meu cabelo, nem a forma como falo ou como me visto. Ele gostou do meu solo como é. Tentar impressionar é dar nutrientes antinaturais.

Se essa semente - homem- possui um costume qualquer, que me desagrade ou não, não me vejo no direito de interferir também. O tempo... O tempo dirá se o relacionamento se desenvolverá ou não. Mas para tudo existe um período. A natureza se encarrega de, matar essa semente ou faze-la crescer.

As pessoas se sentem só, ficam carentes e muitos saem em busca de suas sementes em "lojas", "compram" e escolhem que árvores querem ter, mas nem ao menos conhecem ou sabem lidar com elas. As vezes pensam ter conseguido um tipo x de árvore mas na verdade é outra espécie. Eis o erro. E na gana de fazê-la crescer acabam por matá-la. É e pode matar para um outro solo também. Cada tipo é um tipo. Cada necessidade é diferente.Depois de tudo o que acontece? Saem para cometerem os mesmos erros. Mas a Natureza é sábia assim com o tempo.

Do que essa maluca está falando?

Vejo muitos conselhos em revistas femininas, programas de TV voltados ao público feminino e até mesmo masculino que estão solteiros, ensinando os artifícios para se conseguir alguém... É... Artifícios... Eles duram um tempo mas depois, não funcionam mais. Será mesmo que precisamos impressionar alguém? Será que precisamos morrer em academias, fazer dietas, trocar o guarda-roupa, colocar silicones para chamar a atenção de alguém? Que tipo de relacionamento essas pessoas buscam? Qual será a base dessa semente? Estará àquela futura árvore em um solo realmente fértil ou será plantada em um solo cheio de agrotóxicos que contaminará toda a vida tanto do solo quanto da árvore e seus frutos?

O que preferimos? Alguém que, te leve as alturas no sexo, mas que nunca te compreenderá de fato? Uma pessoa que, te compre coisas, mas será incapaz de te ajudar quando você estiver cansada (o)? Alguém que, te leve a lugares fantásticos, mas que quando suas lágrimas escorrem pelo teu rosto ele (a) simplesmente ignora ou desaparece?

Eu quero ser arrebatada. Completamente arrebatada todos os dias, quero alguém de alma, que me ame incondicionalmente, eu tendo cá minhas celulites e estrias ou estando acima do peso. Quero alguém que me olhe além desse corpo que um dia murchará. Além do meu intelecto ou status que eu possa ter (não tenho nenhum que fique claro). Quero um parceiro, um amigo, um filósofo que enxerga o conteúdo da minha alma, meu caráter, sem reparar os meus cabelos desgrenhados, minhas unhas sem esmalte, ou minha cara lavada cheia de rugas.

Quero que essa pessoa me ame como eu sou. E que me ame porque nem sabe o porquê... Simplesmente me ama. Quero minha árvore fincada firme e forte, frondosa e feliz para que seus frutos sejam também lançados e dessa forma, meu solo seja completamente coberto formando uma imensa floresta.


Em meu jardim,
Uma semente cresce.
Ela traga das entranhas da terra,
O seu bem mais precioso.
O que de fora não é possível notar
Mas ali em seu ultero pode sentir.
Nesse solo, ela pode ter
O Universo,
As gotas das chuvas,
O raios de sol...
A sementinha já criou raizes
Para um dia em breve,
Se tornar parte do solo.
Meu solo já tem dono
E o teu?

2 comentários:

Lex Faria disse...

Como tudo é subjetivo um olhar menos atento poderia definir sua postura como a aceitação tácita de uma passividade ante o acaso, deixando assim sua vida a mercê de eventos desordenados e consequentemente ditados pela sorte...
Por outro lado, há quem possa dizer que essa é a postura de quem tem total segurança em seu valor intrínseco e não no que pode agregar, superficialmente.
Eu, por outro lado creio numa mescla entre essas duas posições. Creio que devemos valorizar sim nossa essencia e não maquia la com artificialidades, mas também podemos ajudar no cultivo, e assim produzir frutos melhores, e nem por isso menos saudáveis.
Contanto que essas intervenções sejam feitas de maneira a agregar valores a nós e não meramente para conquistar um capricho.

Lolis disse...

Lex,

heheheheh nem é passividade de fato. É deixar as coisas correrem o curso que devem. O esforço é por parte de mim no caso. Mas o esforço da observação do que existe dentro e ao redor. Não interferir nao significa nao agir entende? Tudo deve ser natural mas aceitar uma coisa é outra coisa hehehehe
Beijao.

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